domingo, 25 de julho de 2010

Di Cavalcanti

Onde eu estaria feliz, 1965.

Mulata, s/d.

Samba, 1928.

Os pensadores brasileiros sempre seguiram a ideia européia de buscar a essência das coisas. Isto fica mais evidente quando o assunto é definir a essência de ser brasileiro. Grandes pensadores como Gilberto Freyre, Darci Ribeiro e Sérgio Buarque de Holanda tentaram explicar a formação de nossa essencialidade, seja através do nosso processo de colonização, da influência dos negros em nossa cultura, das nossas origens indígenas ou das contribuições dos imigrantes. Todos tentaram elaborar uma resposta fechada para uma questão sempre aberta: o que é, de fato, ser brasileiro?

Creio que os artistas foram mais felizes do que os acadêmicos. O movimento conhecido como A Semana de Arte de 1922 foi uma resposta a tal questionamento. Os artistas da semana estavam interessados não apenas em desenvolver uma linguagem artística brasileira – com influências estrangeiras, é claro – mas também em alcançar essa essência. E chegaram a um ponto em comum: a diversidade. Ser brasileiro é, antes de tudo, estar inserido na possibilidade de ser diverso, seja em termos étnicos, culturais, sociais ou religiosos. Somos o povo da diversidade onde as diversas raças se encontram e se misturam, onde as diversas expressões culturais se encontram, se chocam, se antagonizam e se fundem.

Di Cavalcanti participou da Semana de 1922 com 12 obras, além de elaborar a capa do catálogo da exposição. Di Cavalcanti estava ciente de nossa diversidade e seus quadros revelam essa abordagem. Apesar de influenciado estilisticamente pelo cubismo, expressionismo e pelo muralismo mexicano (principalmente Diego Rivera), Di Cavalcanti alcançou uma voz muito sua, personalíssima, elaborando temas tipicamente brasileiros como as gafieiras, as rodas de samba, as mulatas, as ruas das favelas do Rio de Janeiro, a sensualidade típica de nossas mulheres, as festas populares e as nossas praias. Mas também possui um olhar sobre as questões sociais de nosso país, retratando operários, a vida nas favelas e os protestos sociais.

Di Cavalcanti adotou a linguagem das vanguardas européias como meio de atingir sua própria voz, adotando uma temática nacionalista e uma preocupação com as questões sociais de seu tempo. Além do mais, as cores escolhidas acentuam essa busca por um dizer artístico exclusivamente brasileiro.

As obras de Di Cavalcanti transpiram essa diversidade essencialmente brasileira. Cores profusas, fortes e alegres, mulatas, violeiros, pescadores, dançarinos compõem essa viagem sobre nós mesmos e, mais uma vez, aponta para nossa essência: a diversidade.



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