sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Claude Monet

A rua Bavolle em Honfleur, 1864.

A caçada, 1876.

Impressão: nascer do sol, 1872.

Proust inicia o seu grandioso Em Busca do Tempo Perdido já indicando que a memória, a lembrança, as impressões terão lugar privilegiado em sua busca: “Indagava comigo que horas seriam; ouvia o silvo dos trens que, ora mais, ora menos afastado, e marcando as distâncias como o canto de um pássaro em uma floresta, descrevia-me a extensão do campo deserto, onde o viajante se apressa em direção à parada próxima: o caminho que ele segue vai lhe ficar gravado na lembrança com a excitação produzida pelos lugares novos, os atos inabituais, pela recente conversa e as despedidas trocadas à luz de lâmpada estranha que ainda o acompanha no silêncio da noite, e pela doçura do próximo regresso”.

Creio que o símbolo máximo do Impressionismo está aí: a luz de lâmpada estranha. O movimento Impressionista não buscava mais as impressões “duradouras” da realidade, assim como fazia o movimento Realista. São as impressões que chegam até os artistas que devem ser a fonte de sua inspiração.

O Impressionismo busca traduzir as impressões que a luz e o movimento produzem no sujeito. O mundo objetivo não é mais encarado em sua concretude absoluta. Esvazia-se esta concretude quando se compreende que há uma dimensão no real atrelada à luz e ao movimento. Deste modo, o subjetivismo impressionista implica numa abordagem da própria existência, daí os temas recorrentes: pessoas em tarefas cotidianas, edifícios, paisagens abertas, o mar, a neve, etc.

Quando seguimos a trajetória de Monet, percebemos esta evolução estética que sua pintura vai elaborando passo a passo. Em Monet não há saltos bruscos. Inicialmente vinculado ao Realismo, Monet parece antever o poder que a luz e o movimento imprimem na realidade. Mesmo os seus quadros mais realistas como Troféu de Caça, O Canto do Estúdio ou O Cabo de La Hève na maré baixa já indicam a supremacia da luz.

Este processo de compreensão estética da luz e do movimento culmina com a obra Impressão: nascer do sol de 1872. Não é mais a forma, o tema, a história do quadro que é o mais importante. É a própria luz e o próprio movimento que ditam o ritmo da pintura. Não é de se estranhar que o título do quadro seja exatamente sobre o nascer do sol, ou seja, luz e movimento conjugados.

A força do Impressionismo é tão forte que até hoje sentimos esta busca na arte pela luz e pelo movimento. As diversas diretrizes que as pesquisas estéticas dos impressionistas produziram apontaram e apontam para horizontes diferentes, mas é em Monet, ao lado de Proust, que encontramos a fonte mais originária e poderosa.



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